Quando Os Cipós Pesam Mais Do Que Parecem

“Desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tão de perto nos rodeia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.”

(Hebreus 12:1)


Há dias em que a chuva não dá trégua. O solo encharca, os galhos ficam mais pesados, e aquilo que antes parecia firme começa a ceder. À primeira vista, a queda assusta. Mas, olhando com atenção, percebe-se que o problema não começou ali. Foi se formando aos poucos.

Cipós são assim. Nascem finos, quase inofensivos. Enrolam-se na árvore como se buscassem apoio, companhia, sustentação. Com o tempo, engrossam, multiplicam-se, pesam. Não sustentam, exploram. Sugam força, roubam espaço, abafam a luz. E, se nada for feito, acabam levando a árvore à exaustão.

Na vida espiritual, algo muito semelhante acontece.

Há pessoas firmes, responsáveis, generosas, comprometidas com a família, com a fé e até com a igreja. Aos olhos de todos, parecem fortes. Mas, silenciosamente, cipós vão se acumulando: amizades tóxicas, conversas que minam a santidade, pequenas concessões morais, prazeres disfarçados de inocentes, fofocas toleradas, ironias constantes, ambientes que drenam a fé.

Nada disso derruba de imediato. O perigo está justamente aí. O peso vai se somando. E quando chega a chuva - uma provação, uma perda, uma frustração comum da vida - o que já estava sobrecarregado não suporta. A queda vem, e muitos se perguntam: “Como isso foi acontecer?”

A boa notícia é que não somos árvores abandonadas à própria sorte. Somos pessoas alcançadas pela graça. O Senhor conhece os cipós que nos cercam antes mesmo de sentirmos o peso deles. Sua misericórdia não se limita a nos levantar depois da queda; ela nos chama ao cuidado antes do colapso.

O Espírito Santo não se cansa de cortar cipós. Ele remove embaraços, tira os espinhos, limpa o terreno e, com paciência, coloca o crente novamente de pé. Às vezes o processo é doloroso. Às vezes é trabalhoso. Nem sempre termina em um dia. Mas sempre conduz à vida.

Este é um convite à vigilância amorosa:

olhar ao redor, examinar vínculos, hábitos e permissões.

E, sobretudo, permitir que Deus cuide do que sozinhos já não conseguimos cortar.

Porque quando os cipós são removidos, a árvore respira de novo.

E quando o peso é retirado, a fé reencontra o seu prumo.


Oração

Senhor nosso Deus, nos colocamos diante de Ti com o coração aberto e sincero.

Tu conheces os pesos que carregamos e os cipós que, aos poucos, se enrolaram em nossa vida, muitos deles quase imperceptíveis, tolerados no dia a dia, mas que foram drenando nossas forças.

Dá-nos discernimento para reconhecer tudo aquilo que não vem de Ti.

Coragem para permitir que o Teu Espírito corte o que precisa ser cortado, ainda que doa, ainda que desorganize o terreno por um tempo.

Livra-nos das amizades que nos afastam da Tua presença, das conversas que enfraquecem a fé, das pequenas concessões que silenciam a consciência e dos pesos que nos impedem de caminhar com liberdade.

Quando estivermos cansados, sustenta-nos.

Quando estivermos curvados, levanta-nos.

E quando a chuva da provação vier, que estejamos leves e firmados em Ti.

Obrigado, Senhor, porque não nos abandonas no meio do emaranhado.

Tu és o Deus que cuida, restaura, limpa e recomeça.

Coloca-nos de pé novamente, para a Tua glória e para a alegria da nossa alma.

Em nome de Jesus,

Amém.


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