Um Deus Que Se Deixa Encontrar



“Fui buscado pelos que não perguntavam por mim; fui achado pelos que não me buscavam. A uma nação que não invocava o meu nome, eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui.”

(Isaías 65:1)

Há algo profundamente desconcertante e, ao mesmo tempo, consolador, neste versículo. Ele revela um Deus que não espera passivamente ser procurado, mas que se adianta, se revela, se oferece.

Isaías fala a um povo marcado pela infidelidade, pela religiosidade vazia e pela surdez espiritual. Ainda assim, Deus diz: “Eis-me aqui”. Não uma vez, mas duas. Como quem insiste. Como quem estende as mãos mesmo após sucessivas rejeições.

O apóstolo Paulo, em Romanos 10:20, aplica esse texto aos gentios. Ou seja, esse “Deus que se deixa achar” não está limitado a fronteiras religiosas ou étnicas. Ele rompe expectativas, atravessa muros, alcança quem nem sabia que precisava ser alcançado.

Esse versículo nos confronta com duas verdades espirituais profundas:

1ª Verdade) A iniciativa da salvação é de Deus.

Antes de qualquer oração bem formulada, antes de qualquer busca consciente, Deus já estava falando: “Eis-me aqui”. A graça precede o arrependimento. O chamado vem antes da resposta.

2ª Verdade) A ausência de busca humana não limita a presença divina.

Deus não é encontrado apenas pelos “bons buscadores”, mas também pelos cansados, pelos distraídos, pelos quebrados, pelos que nem sabiam por onde começar.

Isso não anula nossa responsabilidade de buscar ao Senhor - a Escritura inteira nos chama a isso -, mas nos lembra que nossa busca é sempre resposta a uma voz que já nos chamou primeiro.

Para nós, hoje, fica uma pergunta pastoral e pessoal:

Será que não estamos tão ocupados com nossas próprias buscas que deixamos de ouvir o Deus que já está dizendo: “Eis-me aqui”?

Às vezes, Ele não está no extraordinário, mas no simples. Não no barulho, mas no sussurro. Não no futuro distante, mas no agora.

Oração

Senhor. Obrigado porque Tu te revelas antes mesmo que saibamos Te procurar.

Perdoa-nos quando nos tornamos religiosos, mas distraídos; ativos, mas surdos.

Ensina-nos a reconhecer Tua voz e a responder ao Teu chamado diário.

Que nossos olhos estejam abertos e nosso coração sensível para dizer: “Eis-me aqui, Senhor”, porque antes disso, Tu já disseste: “Eis-me aqui”.

No nome Santo do teu filho, Jesus, amém.

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