Nada Levamos, Mas Muito Podemos Investir

“Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará; irá-se como veio, e do seu trabalho nada poderá levar consigo.”

(Eclesiastes 5:15)

O livro de Eclesiastes tem a coragem de dizer aquilo que muitas vezes evitamos encarar: a vida é passageira. O Pregador nos lembra que entramos no mundo sem nada e dele saímos do mesmo modo. Todo acúmulo, todo esforço, toda conquista material fica para trás.

Essa afirmação não é amarga, mas honesta. Ela desmonta a ilusão de que a segurança da vida está no que possuímos. O problema não é trabalhar, planejar ou prosperar. O problema é acreditar que nisso está o sentido último da existência.

Jesus retoma exatamente esse ensino e o leva mais adiante. Em Mateus 6, Ele diz para não ajuntarmos tesouros na terra, onde tudo é frágil e perecível, mas no céu, onde nada se perde. E então faz uma afirmação decisiva:

“Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”

Aqui está o ponto central: o coração sempre segue o investimento.

Na parábola do rico insensato (Lucas 12), Jesus fala de um homem que acumulou tanto que precisou ampliar seus celeiros, mas nunca ampliou sua visão espiritual. Ele pensou ter garantido o futuro, mas esqueceu da eternidade. Naquela mesma noite, sua alma lhe foi requerida. Tudo ficou. Ele partiu de mãos vazias.

Eclesiastes diz: nada levamos.

Jesus completa: então escolha bem onde investir.

O jovem rico também ilustra essa verdade. Ele desejava a vida eterna, mas não conseguiu se desapegar do que possuía. Não porque a riqueza fosse má, mas porque havia se tornado senhora do seu coração.

A boa notícia do Evangelho é que, embora não levemos bens materiais, levamos frutos. Tudo o que é semeado no amor, na generosidade, no serviço, na justiça e na fé tem valor eterno. São tesouros que atravessam a morte.

Este devocional nos convida a uma pergunta simples e necessária:

Em que tenho investido minha vida?

Segurar as coisas deste mundo com mãos abertas não empobrece ninguém, pelo contrário, liberta. Quando colocamos nossa esperança em Deus, aprendemos a usar os bens sem sermos usados por eles.

Que o Senhor nos dê um coração sábio, capaz de discernir o que passa e valorizar o que permanece.

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”

(Salmo 90:12)

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